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Para leitores e escritores de RPG e também de literatura em geral.

Durante à noite, quando estamos sonolentos, à beira da consciência, em sua margem: somos transportados para um mundo onírico - cheio de fantasia e perigo; tanto selvagem quanto profano. Sonhamos, imaginamos!

Venha, imagine também, participe e analise contos, fundamentados em RPG, mas fortalecido e criado por tecnicas literárias; "a se ela deslisasse por meus comentários sobre literatura, veria que há mais que jogo no roleplayingame"

19 de maio de 2013

Um Irmão Amaldiçoado

A história será contada(jogada) no século xix, no Japão, ano 10 da era Meiji (momento em que os EUA estão negociando com o Japão (ver O Ultimo Samurai como exemplo histórico). O jogo é Mago:Cruzada dos Feiticeiros. Nesse jogo, cada jogador faz um mortal que em algum momento traumático da vida, se “transforma” em um Mago capaz de fazer mágicas, esse momento é chamado de Despertar. Na sociedade dos magos, existem ‘tradições”, que são como clãs ou tribos. O personagem a seguir, é da tradição Irmandade de Akasha. O amaldiçoado... Genshiro nasceu de um estupro. Seu futuro padrasto, um samurai do clã Himura, havia partido para uma assembleia com o imperador. Poucos samurais ficaram na vila para defesa, caso algum ataque fosse realizado por estrangeiros ou, o que é mais difícil, outros clãs. Mas, infelizmente, um grupo de estrangeiros fez o indesejável, mas de certa forma, esperado: atacaram a vila. Foi deste ataque covarde, típico de ocidentais, que ocorreu o estupro e todo malefício decorrente de saques. Algum tempo depois do ocorrido, a mãe de Genshiro, grávida, desejava tirar a própria vida, mas, seu marido, decidiu que ela não o faria, e ordenou que a criança fosse levada, após o nascimento, para seu destino: o exílio. No entanto, após seu nascimento, sua mãe não sobreviveu ao parto. Com ódio, seu pai decidiu tirar a vida da criança. Ordenou que uma camponesa da vila, levasse a criança e a ela desse fim. Novamente, o premeditado não ocorreu. A camponesa entregou a criança para um ancião, também camponês, que decidiu criá-lo, ao saber de sua triste história. Uma infância criado como filho, mas sem mentiras. O passado não foi velado. Batizado de Genshiro, filho da violência, decidiu regressar a seu vilarejo, vinte anos depois do estupro que lhe gerou a vida. Mas seu pai, ou melhor dizendo, potencial padrasto, castigado pelo tempo e pela culpa, havia cegado seus próprios olhos e tornado-se um eremita. Genshiro não o encontrou, mas foi recebido com pesar pelos samurais veteranos. Sentindo-se culpado pelo exílio daquele que era o maior samurai de outrora, Genshiro também deixou para traz o que lhe prendia a sociedade: o vilarejo de seu padrasto, a cabana do ancião e a filha do mesmo, que havia lhe ensinado a valorizar os laços de amizade – uma camponesa chamada Ina. Genshiro foi atrás de seu pai, nas montanhas geladas do norte. Boatos falavam que ele havia morrido de causas naturais; outros falavam que os espíritos o levaram para o mundo dos mortos, para que reencontra-se uma ultima vez sua esposa. Mas, sem provas, Genshiro continuou a vagar, até que um dia, algo aconteceu... *** Por entre as árvores castigadas por um inverno rigoroso, numa ingrimidade natural, branca como um tapete de sal, um corpo jazia no chão. Genshiro sentiu o palpitar do próprio coração, como se lutasse contra a hipotermia que lhe açoitava; enquanto trepidamente se aproximava do corpo, segurando uma tocha. O corpo estava pouco agasalhado (como se esperasse aquela tormenta de neve, tal qual o beijo frio da ceifadora¹ que a tudo leva). O homem era velho, seus cabelos deviam ter crescido durantes longos anos sem cuidado e sem que fossem podados; suas rugas eram acentuadas, aparentava aproximadamente sessenta anos. Ele não estava morto, apesar de seu aspecto cadavérico. Genshiro tomou-o nos braços e o chamou pelo nome, “Himura-Genzou” – era quem ele buscara, o seu padrasto. O quase-cadáver abriu os olhos acinzentados, que nada podiam ver. Em seguida, seu maxilar abriu-se de tal maneira, que Genzou não conseguir compreender se se tratava dele próprio, ou da própria ceifadora que lhe havia pregado uma peça, logrando seu fim; planejando levá-lo até o fim de suas forças e arrancando-lhe o vigor como um anzol que tira do âmago de um lago, o ultimo peixe a nadar contra a corrente. Naqueles breves e intensos instantes, Genshiro Despertou²... as vontades de Himura eram como as vontades de uma besta, tocada pelos maus espíritos, projetadas numa torrente de imagens sangrentas, transmutando ódio com reflexos do passado, quando Himura partira, deixando sua amada “escrava” em casa; quando seu filho bastardo nascera; e agora, transmutado tudo isso em fome, ele atacou seu filho bastardo. Um buraco se abriu entre a clavícula e o maxilar de Genshiro. Seu próprio pai “mudara”, como tornado um cão, ou felino selvagem que esmaga a presa abatendo-a com um só mordida. Neste momento, pressentindo o fim, pelas mãos de seu próprio pai, Genshiro, que, por hora dotado de uma leitura de cada sensação, cada desejo de seu agressor, percebeu um tear místico, de brilho rubro, serpenteando interconectadamente a tudo e concentrando-se onde brotavam os desejos atrozes de seu algoz – sua mente. Numa explosão de emoções e pura energia cintilante, aquele corpo a sua frente fraquejou, como numa implosão, mas sem o que lhe guia os movimentos – a cabeça foi fragmentada em energia criadora, esvaída, liberta da forma corpórea que prende o chi a cada parte do todo. *** Regressar como um Desperto³ não foi fácil, mas Genshiro, que guardara seu suposto parricídio como uma adaga a perfurar-lhe o calcanhar, julgava-se amaldiçoado por aquela existência – seu carma deveria ser a vingança, o ódio; devia ser ele, o expiar de pecados passados, de mal feito em outra vida. Por isso, decidiu vagar para acertar contas com que lhe prende ao passado, que causaram o rechaçamento social, que lhe levaram a um exílio que resultou numa tragédia. Sua motivação tornou-se ódio, somente quando reparar o mal – pela vingança – é que acredita que encontrará paz para retornar ao ciclo carmico. Sua vingança é contra o estrangeiro que lhe gerou... *** Genshiro foi levado a Cabala4 por um membro da Irmandade de Akasha, que lhe forneceu o doutrinamento necessário ao controle de sua turbulência. Mesmo que não consiga manter a calma o tempo todo, Genshiro se esforça para fazê-lo. Seu antigo mentor se chamava Yoshiro-Naba, ele foi responsável por dar um certo sentido a existência de Genshiro, mas, sem ser um Irmão “pacificador”, foi ele quem apresentou a versão “guerreira” ao segundo. Sem mais, Gabriel Brito analfabetismo Nota; 1: ceifadora, metáfora em RPG comum para a “morte”. 2: Despertar: tornou-se Mago. 3: Desperto: um ser sobrenatural.

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