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Para leitores e escritores de RPG e também de literatura em geral.

Durante à noite, quando estamos sonolentos, à beira da consciência, em sua margem: somos transportados para um mundo onírico - cheio de fantasia e perigo; tanto selvagem quanto profano. Sonhamos, imaginamos!

Venha, imagine também, participe e analise contos, fundamentados em RPG, mas fortalecido e criado por tecnicas literárias; "a se ela deslisasse por meus comentários sobre literatura, veria que há mais que jogo no roleplayingame"

10 de junho de 2010


Antagonista – o arauto de deus.
As ruas sujas e fétidas da Ibéria foram meu lar durante quarenta anos. Meus pais precisavam de mim, mas eu nunca fui um homem bom. As cidades me atraiam mais que os campos e durante minha meia idade, tornei-me um criminoso de ruas, vivendo sob triunfos e na porta de tavernas.
Quando soube da morte de minha mãe, e de seu terceiro filho no parto, arrependi-me, mas era tarde demais; aquela já não era mais minha vida. Fiquei sabendo que pouco tempo depois, meu pai também falecera, vitima de uma praga que assolou o leste de todo o reino.
Eu estava só, mas sempre estive! Então me afoguei mais ainda, cada dia que passava eu pedia mais a Deus, que ele me dirigisse logo ao purgatório, ou ao inferno, para que eu fosse punido por não abençoar minha família, que nunca me cobrara nada mais que eu não pudesse cumprir; queria ser punido por meus pecados, pois eu não era digno, meus pedidos foram atendidos...A sífilis me tomou em seus braços e eu comecei a perder o juízo, percebi que as forças das trevas realmente caminham lado a lado com as pragas e eu deveria ser excomungado, punido, morto, qualquer coisa que aguarda um servo do demônio.
Durante um dia, no entanto, acordei em um local confortável pelo menos mais confortável que eu já havia dormindo durante todo aquele tempo nas ruas. Isso aconteceu em algum momento entre o gozo carnal, numa taverna de Castella – não sei se morri antes ou depois disso, só lembro da vadia profana sem roupas e fedendo a peixe em cima do meu falo. Eu percebi que não mais sentia nenhuma irritação, nem física nem mental – as dores de cabeça lancinantes, as malditas chagas entre minhas pernas; o liquido amarelo no meu falo; nada, não sentia mais nada, não tinha mais nada. O demônio fora embora – foi obra de Deus. Eu me sentia estranhamente puro. Percebi que estava num recinto humilde, provavelmente de um monastério, então conheci o santo que havia me curado, me concedido a graça divina; o milagre. Ele era um homem de estatura baixa, quase corcunda, barba branca e semblante sereno, que me olhava com os olhos amarelados e distantes, como se visse por trás de mim, minha alma, meus desejos, medos. Ele então se apresentou e disse que Deus acreditava em mim e todos têm sua chance; O Bem maior era o que aguardava depois da morte, não o inferno – o inferno era pros verdadeiros demônios, não para um pecador que sofre. Então percebi, aqueles olhos eram santos, me aguardavam, me guiariam e eu retornaria para a luz do Senhor, para o Bem que aguarda a todos: o Paraíso. Eu tive esperança.
Às vezes me perguntam se não tenho vergonha e remorso pelo meu passado; perguntam se não me arrependo. Eu digo apenas que, sou um servo errante de Deus, mas para se chegar a luz, é preciso primeiro atravessar o vale da sombra da morte.
Hoje, levo a fé a todos, através da devoção total e incondicional a Santa Inquisição, sou a palavra de Deus e a lamina sagrada de Deus... Sou seu arauto, seu anjo vingador.

Motivação.
Quando a Santa Inquisição foi criada, o “arauto” se afiliou a ordem, acreditando que sua vida não mais lhe pertencia, ele era agora, um soldado de Deus – do Bem Maior. Sua família espera por ele no Paraíso e ele ainda sofre quando lembra que os abandonou e os deixou a própria sorte. Esse com certeza é seu maior pecado. Somente quando vier a morte que ele se libertará e será perdoado. Deus já o perdoou, mas sua família ainda não, ele precisa provar seu valor. “Então ele provará através do cumprimento das ordens da Igreja”, ou pelo menos é o que ele acredita.

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